A Polícia Civil realizou na manhã de terça-feira (31) a operação Ícaro. Coordenada pela 3ª Delegacia de Polícia de Canoas, a ação desarticulou uma quadrilha especializada no uso de drones para comercializar drogas, armas de fogo, munições e celulares, entregando itens ilícitos em unidades do sistema prisional gaúcho. A ação cumpriu quatro prisões preventivas e oito mandados de busca e apreensão em Canoas, Eldorado do Sul, Novo Hamburgo e outras cidades da região metropolitana de Porto Alegre. Até o fim da manhã, haviam sido efetuadas as prisões preventivas de quatro suspeitos, com a coleta de provas e identificação de envolvidos em diversos presídios.
A investigação teve início a partir de um flagrante na madrugada de 26 de outubro de 2024, em uma área de mata fechada ao redor do Complexo Prisional de Canoas. Um suspeito foi preso com um drone e pacotes prontos para lançamento para as celas. O principal piloto, que controlava o drone, fugiu, mas um recibo de compra do aparelho em seu nome confirmou sua participação.
Em depoimento, o detido confessou atuar como apoiador em solo, recebendo R$ 400 por incursão. Ele revelou um esquema profissional e itinerante: operadores mudam de local constantemente, com entregas já feitas em presídios de Charqueadas, Sapucaia do Sul, Montenegro e Bento Gonçalves. Drones potentes carregam até meio quilo por voo, em rotas silenciosas e precisas.
Conexão com crime organizado
A Polícia Civil apurou que o grupo investigado realizava serviços para organizações criminosas. As entregas deveriam chegar a um detento de alta periculosidade, líder de uma organização do Vale do Sinos.
A delegada Luciane Bertoletti, da 3ª Delegacia de Polícia Civil de Canoas, destacou que mais de 40 drones foram interceptados em curto período. Ela relacionou o esquema a um aumento da violência dentro da unidade prisional, incluindo um homicídio por arma de fogo, com interceptação de carregadores e munições.
O delegado Cristiano Reschke, diretor da 2ª Delegacia de Polícia Regional Metropolitana, alertou: "Drones se tornaram ferramentas frequentes para o crime, desafiando a vigilância tradicional com tecnologia."